sexta-feira, 15 de abril de 2011

SADEK DIZ QUE SOCIEDADE EXIGE JUIZ PROTAGONISTA, E NÃO AQUELE ENCASTELADO

A professora e pesquisadora Maria Tereza Sadek, docente da USP, atualmente consultora do Departamento de Pesquisas do CNJ, participou nesta tarde (15/4) do painel que discutiu os “Sistemas de Avaliação nos Cursos de Formação”, integrante da programação do Encontro Nacional de Capacitação Judicial, em Florianópolis. Em sua explanação, a professora fez questão de desmistificar a ideia de que avaliação possa ser compreendida como punição. 

Para ela, ao contrário, avaliar é uma excelente oportunidade para o desenvolvimento e aperfeiçoamento, seja individual, seja institucional. “Avaliação é um imperativo republicano”, afirmou. Neste sentido, complementa, a avaliação deve ser compreendida como verdadeiro feedback, capaz de transformar-se em aperfeiçoamento constante. A própria forma de recrutamento dos juízes, por meio de concurso público, tem por base um sistema de avaliação que leva em conta, principalmente, a qualidade técnica do futuro magistrado. Ainda que na atualidade, acrescenta, o perfil ideal do juiz exija mais do que o domínio da técnica, para total compreensão das relações em sociedade.

“Hoje se exige um juiz protagonista, que não seja um simples aplicador da lei, mas alguém capaz de interpretar e atender as exigências e complexidades dos chamados novos direitos”, diz. Não há mais espaço, em sua concepção, para o tradicional magistrado encastelado, de ouvidos moucos e olhos fechados. “Tão anacrônico quanto isso, só mesmo o antigo dito de que o que não está nos autos não está no mundo”, finaliza.

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